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domingo, 30 de dezembro de 2012

função do querer


na rotina conturbada de excessos – de trabalho, estímulos, álcool – está tudo aí, conceitualizado, basta prestar atenção. na alteração, invenção, ou mesmo na reprodução de conceitos básicos, mas pouco aprofundados pela falta de tempo cotidiana, as relações afetivas até que fazem algum sentido. no momento, a vida tem se baseado, principalmente, em duas visões simples, mas de grande importância. a escolha a partir do encantamento, que como insiste Manoel de Barros, é o que deve definir a importância, seja lá do que for; e a relação com o tempo de Raduan Nassar (saber a hora de seguir ou repensar o trajeto, as ações, sem medo das transformações). entre uma coisa e outra, especulações sobre amor & distância. 

se o encontro é natural e a admiração e todas as outras vontades são efeitos simples do estar acordado, o querer não consagra mérito, não torna ninguém diferente, especial ou mais digno de merecimento, visto que, dado aos estímulos, o desejo é praticamente inevitável. a diferença na busca, do lado de cá, está exatamente  na valorização pelo encantamento causado.

em outras palavras, talvez o passo mais importante para o grande salto no vazio das realizações, que pode durar anos, meses ou horas, não importa, esteja na compreensão da função do querer. 

na finalidade da intenção.

terça-feira, 4 de dezembro de 2012

(a)

amor motiva.

segunda-feira, 12 de março de 2012

se tiver vontade, chama!

procuro lembranças suas em anotações feitas nas últimas semanas. pra começar, um lembrete no celular, escrito de qualquer jeito, sugerindo passar na sua casa novamente, para prolongar a despedida, repetindo abraços e declarações, ou, em outras palavras, reafirmar a repulsa pela partida, na pressa de quem tem medo  que o "depois" realmente se transforme em "nunca" - como sentencia outro autor. depois, reflexões sobre transformação, sobre romper pra valer com um passado recente estúpido, mas que insistia em querer machucar. e você aí, na contramão disso tudo, linda, linda, linda, com tantos sorrisos, carinho e atenção. em outros escritos, a conclusão que apesar da distância de agora, ainda tem muito de você aqui, em textos, fotografias e pensamentos. mas a verdade é que eu preciso te (re)descobrir ainda, de perto. saber o que você espera da vida mesmo. os sonhos, frustrações, medos, o que você quer ser daqui 10 anos ou no mês que vem, o que te deixa triste, do que você acha graça, de quem sente saudade, do que sente falta, o que pensa sobre música, filosofia, religião, distância, tempo, diferenças, internet, literatura,  novela, cinema, política, poesia, e tantas outras bobagens ou não do cotidiano. enfim, o que eu preciso é entender melhor como é a vida vista por esses olhos tão bonitos.

te (re)descobrir: logo e sempre.


sexta-feira, 24 de fevereiro de 2012

2012 ou antes que o mundo acabe

parece que não tem jeito, que o que passou valeu, mas que não há mais o que ser produzido ou descoberto, nas relações artísticas ou sociais. assim, num impulso autodestrutivo, vamos empurrando ladeira abaixo as tentativas, e o "poderia ser", por medo tolo, acaba nunca sendo.

geralmente por pura bobagem.

demora, mas voltamos a acreditar. pela alteração da consciência, pelos dias numa bonita cidade do interior de minas gerais - que funcionam mais que anos de análise - ou, simplesmente, por constatarmos que se estamos parados, permaneceremos parados, é a lei da física.

vamos lá, enfrentar esses dias estranhos, que ainda existe chance de encontrar algo bonito pelo caminho, algo pelo que se encantar (mesmo que a alguns quilômetros de distância).

antes que o mundo acabe.

segunda-feira, 12 de setembro de 2011

delírios & alucinações


rio de janeiro, paraty ou qualquer cidade com praia e centro histórico. 

(...)

uma série de delírios que talvez façam sentido se estudados com base na psicanálise. nós dois, depois de sucessivas brigas em silêncio e muita raiva desperdiçada nos bares sujos da cidade, estávamos ali, revendo tudo, personagens do que fomos, num conjunto de cenas estranhas, fotografias que escritas não descrevem metade do processo. 

estranho a força com que te beijava, como quem quisesse descontar em poucos segundos tudo que passou e nos mudou por dentro e por fora. o caminho é diferente quando se sabe o final. passado e futuro. ainda assim,  na medida do possível, parecíamos felizes, ali, praticamente sozinhos, onde, além do medo, o que existia eram os corpos abraçados, quase perdidos, na escuridão do mar que não terminava nunca.

conversávamos sobre cada detalhe que ficou pelo caminho, e por culpa de sabe-se lá quem, nunca conseguimos explicar. embora muito tenha mudado.

na força do desejo, no abraço ou nos sorrisos assustados que estampavam nossos rostos, estava claro que a vida poderia ter sido bastante diferente, se conseguíssemos ser diferentes. mas, não!, enquanto isso estamos por aí, largados, quebrando promessas, perdidos em qualquer substância que prometa aliviar a dor, ou distorcer os sentidos.

(...)

hoje  não é amor, saudade ou necessidade. só um receio do que esse conjunto de cenas, que não se explicam facilmente, podem significar.  

acordo assustado.
(não sei se cansado de sonhar).

"ilusão de que falta alguma parte do próprio corpo, ou de que o mundo cessou de existir. percepção sem objeto".


quarta-feira, 24 de agosto de 2011

penúltimo

chega uma hora que deixa de fazer diferença o que você pensa, faz ou deixa de fazer. não é fácil, mas acontece, acredite. como morrer pra conseguir viver de novo. foda-se. o mundo não está nem aí. continua girando. independente das minhas ou das suas atitudes. penso nisso enquanto você vomita suas bobagens, fingindo certeza absoluta. fala da natureza humana e dos amores que não deram certo. lamenta-se pagando caro pelos filmes clichês que não dizem nada que você já não tenha visto antes - embora não consiga entender. ainda inveja aquelas vidinhas miseráveis. o amor parece só fazer sentido na tela grande. assistir é fácil, classificação livre, duro é viver, sentir na carne a angústia ou qualquer esboço de felicidade. falta tempo ou coragem? só falta culpar o zodíaco. vai esperando que uma hora aparece alguma companhia para as suas fotografias retocadas.

agora, por aqui o espaço está acabando.

"que bom", você deve pensar.

eu concordo.

terça-feira, 23 de agosto de 2011

dizendo

tudo precisa ser organizado. começar de novo mesmo. praticamente do zero. um monte de coisa pra dizer, mas completamente perdido no método. tentativas de não-repetições. amores passados em textos perdidos. jogar no lixo ou tentar recuperar pelo valor da arte?

no meio do caos, alguns dias são bonitos. pequenos momentos que podem ser contados. não por fazer diferença, mas pelo exercício que independe do resultado final.

um conjunto de pequenas coisas. como sempre foi. ou tentou ser.


sábado, 23 de julho de 2011

pela arte e coisa e tal

o trabalho cansa, mas é gratificante. vale pelo valor artístico. e, mais ainda, pela causa política. na falta de tempo cotidiana, paradoxalmente, preciso passar seis horas diárias comigo mesmo, com uma ou outra interrupção, incluindo conversas memoráveis, mas tudo muito fragmentado. o que temos mesmo pelas longas tardes sou-só-eu e os minutos que parecem horas. solidão em pleno centro da cidade.

dentro dos fragmentos: a pressa da cidade, a atenção de poucos - incluindo momentos únicos que até dão  certa esperança no que diz respeito as relações afetivas e tal -, a desatenção de muitos e a forma com que diferentes pessoas lidam com a arte. grande estudo antropológico por conta da casa.

tempo demais pra pensar. mas são apenas sucessões de pensamentos que se perdem. teorias e mais teorias que vão pro ralo antes mesmo de chegarem ao papel.

o corpo esgotado fica feliz pela proximidade do fim.

o coração sabe que em algum momento sentirá falta – como sempre sente. mas entende que o aproveitamento foi satisfatório. e que é mais um ciclo importante que se encerra, porque precisa se encerrar.

teoricamente, sobrará algum tempo pros tantos filmes, pros livros não lidos, pra escrever, escrever, escrever e testar novas possibilidades.

na prática, é um tempo a mais pra tarefa mais difícil de todas: organizar a vida.

(sem contar nas tantas outras tarefas pendentes – produção de uma exposição fora do país, edição de um livro que já deveria ter sido entregue, produção do tão sonhado projeto de poesia e outros projetos mais).

não é fácil, mas acaba valendo a pena.

muito.

segunda-feira, 27 de junho de 2011

de quem não tem culpa da incapacidade de olhar (do outro)

os últimos dias foram pratos cheios para lamentações, mas as coisas estão andando, e os antigos problemas não resolvidos, se transformam, cada vez mais, em pequenas lembranças, recortes especiais datados ou, ainda, piadas mais ou menos internas.  

as coisas estão melhorando. (muito embora os métodos sejam discutíveis - a gente faz o que pode).

mas ainda sobra algum resquício, saudade de um determinado contexto que não pode mais existir.

hoje uma fotografia vista ao acaso me mostrou pessoas que não vejo mais. culpa do contexto. só. nenhuma mágoa ou rancor. só saudade mesmo. de saber como eles estão, de almoçar ou rir junto. difícil. e uma lembrança leva a outra, e surgem outras pessoas, e, sei lá, vai que não entenderam direito e do lado de lá guardam alguma imagem negativa.

enfim, se algum dia passarem por aqui - não vão passar - desculpem qualquer coisa, mesmo.

felicidades, pra vocês e pra mim!,

d.



segunda-feira, 13 de junho de 2011

hollywood mentiu.