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terça-feira, 23 de agosto de 2011

dizendo

tudo precisa ser organizado. começar de novo mesmo. praticamente do zero. um monte de coisa pra dizer, mas completamente perdido no método. tentativas de não-repetições. amores passados em textos perdidos. jogar no lixo ou tentar recuperar pelo valor da arte?

no meio do caos, alguns dias são bonitos. pequenos momentos que podem ser contados. não por fazer diferença, mas pelo exercício que independe do resultado final.

um conjunto de pequenas coisas. como sempre foi. ou tentou ser.


sábado, 23 de julho de 2011

pela arte e coisa e tal

o trabalho cansa, mas é gratificante. vale pelo valor artístico. e, mais ainda, pela causa política. na falta de tempo cotidiana, paradoxalmente, preciso passar seis horas diárias comigo mesmo, com uma ou outra interrupção, incluindo conversas memoráveis, mas tudo muito fragmentado. o que temos mesmo pelas longas tardes sou-só-eu e os minutos que parecem horas. solidão em pleno centro da cidade.

dentro dos fragmentos: a pressa da cidade, a atenção de poucos - incluindo momentos únicos que até dão  certa esperança no que diz respeito as relações afetivas e tal -, a desatenção de muitos e a forma com que diferentes pessoas lidam com a arte. grande estudo antropológico por conta da casa.

tempo demais pra pensar. mas são apenas sucessões de pensamentos que se perdem. teorias e mais teorias que vão pro ralo antes mesmo de chegarem ao papel.

o corpo esgotado fica feliz pela proximidade do fim.

o coração sabe que em algum momento sentirá falta – como sempre sente. mas entende que o aproveitamento foi satisfatório. e que é mais um ciclo importante que se encerra, porque precisa se encerrar.

teoricamente, sobrará algum tempo pros tantos filmes, pros livros não lidos, pra escrever, escrever, escrever e testar novas possibilidades.

na prática, é um tempo a mais pra tarefa mais difícil de todas: organizar a vida.

(sem contar nas tantas outras tarefas pendentes – produção de uma exposição fora do país, edição de um livro que já deveria ter sido entregue, produção do tão sonhado projeto de poesia e outros projetos mais).

não é fácil, mas acaba valendo a pena.

muito.

segunda-feira, 27 de junho de 2011

de quem não tem culpa da incapacidade de olhar (do outro)

os últimos dias foram pratos cheios para lamentações, mas as coisas estão andando, e os antigos problemas não resolvidos, se transformam, cada vez mais, em pequenas lembranças, recortes especiais datados ou, ainda, piadas mais ou menos internas.  

as coisas estão melhorando. (muito embora os métodos sejam discutíveis - a gente faz o que pode).

mas ainda sobra algum resquício, saudade de um determinado contexto que não pode mais existir.

hoje uma fotografia vista ao acaso me mostrou pessoas que não vejo mais. culpa do contexto. só. nenhuma mágoa ou rancor. só saudade mesmo. de saber como eles estão, de almoçar ou rir junto. difícil. e uma lembrança leva a outra, e surgem outras pessoas, e, sei lá, vai que não entenderam direito e do lado de lá guardam alguma imagem negativa.

enfim, se algum dia passarem por aqui - não vão passar - desculpem qualquer coisa, mesmo.

felicidades, pra vocês e pra mim!,

d.



segunda-feira, 13 de junho de 2011

hollywood mentiu.

sexta-feira, 27 de maio de 2011

escrita automática

velocidade, pressa, amor, ilusão, dor.

[ pausa ]

transformação, calma, poesias, madrugadas, entrevistas, filmes e mais filmes, trabalhos, madrugadas, projetos, projetos, projetos, poesias, 

analogias perfeitas.

falta tempo e talento (e dinheiro).
sobra vontade e, ironicamente, o que dizer.

mas
seja como for,
será [!]

domingo, 15 de maio de 2011

para não cair no esquecimento

(ou conjunto de metáforas)


em termos práticos temos:

I- a reza fez efeito;

II- o que não existia, continua não existindo. e agradecemos por ser assim;

III- feriados geram histórias. algumas que deveriam ser esquecidas (não se trata de você, embora haja culpa - minha, sua e do meio social no qual estamos inseridos. para não falar da "moral cristã"...);

IV- preciso achar alguma utilidade para os pequenos textos rabiscados nos cadernos antigos nos últimos meses;

V- tudo pode acontecer;

VI - novidades virão;

VII - não lembro a data, mas o que eu disse naquela tarde sobre o conceito de morte, de fato, foi o que aconteceu. satisfeita?;

VIII - resolvidos todos os problemas técnicos, cá estamos nós.

IX - começar de novo.

X - alguém aí?

quinta-feira, 7 de abril de 2011

logo ali.

ali, tão perto.

domingos felizes, momentos felizes, abraços, carinho, atenção.

logo ali, tão perto.

as crianças morrem. o irremediável, irrecuperável. choca. choram. choro.

ali, logo ali.

não existem mais.

não existimos mais.

ali. logo ali.

nunca mais.

domingo, 20 de fevereiro de 2011

reza para amanhã, depois e depois

quero poder reagir / olhar você sorrir / e não desabar.

(mombojó - splash shine)

terça-feira, 25 de janeiro de 2011

treze

Prólogo:

quando a solução não está dentro de casa, nos livros ou nos filmes de amor que se repetem na tv a cabo, resta caminhar por aí, com o medo que não deixa de existir, mas, também, com a vontade do não-realizável, de mudar tudo, e sorrir um pouco mais pra deixar de ser óbvio, ainda assim as canções não deixam de fazer sentido - nunca, um estranho estado de alegria ou quase morte, difícil transformar em palavras, mas por sorte, vez ou outra, a vontade consegue vencer o medo e a única certeza possível é a ausência do impossível. 

(...)


Cena I:

INT.  LIVRARIA   –  DIA.

ele, na roupa de sempre, finge se distrair enquanto olha a vitrine da livraria que, contrariando as estatísticas, se encontra bastante movimentada para uma tarde de quinta-feira. nas mãos uma sacola com itens necessários para a organização dos papéis que, querendo ou não, trazem lembranças de dias em que até as comédias românticas faziam sentido - na realidade, mesmo sem encontrar muito sentido, ele continua assistindo, quase nunca como primeira opção, é verdade.

ensaia os passos para que tudo pareça o mais natural possível, talvez tenha aprendido com os filmes, "estava passando aqui perto e resolvi vir te ver". ela não consegue esconder o sorriso, e ele ainda guarda na memória afetiva o dia em que se conheceram, meses atrás, ali mesmo.

ela: viu como eu sou cativante?

ele, entre os livros que ainda não conseguiram ler - por falta de tempo, no caso dela, e de esforço ou dinheiro, no dele - não diz, mas sorrindo, como não é de costume, pensa: é, você nem imagina o quanto!

depois do abraço:

- vê se aparece...

ele sabe que vai aparecer.

(continua)

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sábado, 4 de dezembro de 2010

déjà vu

todas as necessidades do mundo.

não sei quantos meses depois, as necessidades ainda são as mesmas, preciso arrumar a bagunça da vida, do coração e do computador pós-formatação involuntária, tudo de novo, é estranho, de uma hora pra outra um monte de coisa que você julga importante simplesmente deixa de existir, assim, não-mais-que-de-repente, analogia perfeita, é a vida!, resta o desespero, a falta que você vai sentir e o esforço pra lembrar do que ficou guardado durante tanto tempo que acabou perdendo o sentido, o rascunho de um texto que falava sobre a mesma coisa, com um pouco menos de dor, talvez, com mais sonhos e, quem sabe, menos desilusões,  as palavras que, mesmo depois de escritas, se perderam, como se fosse necessário esquecer até os caminhos percorridos, as tentativas que, por mais que não pareçam, fizeram do agora algo bem maior.

pra não dizer das fotografias, que, continuando no campo das analogias, quando apagadas parecem que nunca existiram, daí todo o esforço em recuperá-las, sabe, pra você não morrer ainda mais em mim.

como venho morrendo. em você.