Recent Posts

sábado, 10 de outubro de 2009

sem trégua

a chuva insisti em cair, dia após dia, sem trégua, pausa ou tempo para caminhar sem sujar os pés. o corpo nunca reage bem. nada bem. os carros passam acabando com o quase silêncio da madrugada de músicas antigas. uma espécie de nostalgia sistemática comum em períodos de frio constante.

tentativa de proteção em frases curtas, som baixo e roupas que aquecem todo o corpo.

lembranças desconexas, dores pelo corpo e sono desordenado.

o caminho é longo, sempre, mas eu sobrevivo.

Parêntese-arquitetônico.

o tal cinema escuro, segundo pesquisas mais recentes, é de 1932.

segunda-feira, 5 de outubro de 2009

sonhos platônicos.

(ou listras e cores)

ela, distante, na tela do cinema escuro de 1926, ou bem pertinho, na cadeira ao lado, onde as pernas se encontram, com ou sem intenção, onde é possível tocar, sentir, perceber o perfume ou simplesmente a velocidade da respiração.

no trânsito caótico da avenida Rio branco, a menina de vestido-vermelho-com-flores-claras, conta um pouco da sua vida, entre um e outro intervalo de silêncio, de olhares distraídos pro céu ou pro chão, tanto faz.

as cores do seu vestido se transformam facilmente em poesia concreta ou abstrata. e o seu sorriso acaba com a angústia onde tudo que sobra é uma enorme vontade de abraçar bem forte, de prolongar o tempo, de ter por perto, até o final da rua, ou até quando o amor permitir.

ela é a cena de um filme que não estreou no circuito comercial. ou aquele trecho da música alternativa que merece ser vivido, contado, fotografado. me fazendo querer sem esforço, sem ensaios, sem nada que não seja a vontade de transformar.

ela é a felicidade das minhas madrugadas de sono, de sonhos (platônicos).

sábado, 3 de outubro de 2009

sobre.

ele é tudo o que escreve, que ouve, que faz. cada pedaço de sonho, de gritos dispersos, de silêncio, medo, aflição. ele é tudo que junta pelo caminho. as frases escritas nas paredes, nas noites sujas de solidão, ou nos letreiros da orla iluminada.

ela não existe mais em sonhos ou possibilidades. não é ausência da vontade. talvez nunca seja. é qualquer coisa com doses relativas de realismo, de vergonha na cara, de espelho que não engana mais.

da janela ele recorda, e não se conforma, com a velocidade do tempo, da vida, do ônibus, que corre cada vez mais.

entre recordações distintas, ele, aos poucos, remonta cada pedaço dos dias, das cenas, dos sorrisos, do vestido, das piadas.

quarta-feira, 30 de setembro de 2009

| pro.cras.ti.na.ção |

é sempre a eterna ação de recomeçar. o que fica pra depois, geralmente, acaba ficando por fazer, nas listas de planos que não ultrapassam as barreiras do mundo das idéias. tenho quase tudo que preciso pra tocar a vida da forma que almejo.

é tudo questão de organização.

vamos tentar de novo!

domingo, 27 de setembro de 2009

o tempo passa. taí uma estranha-certeza-que-me-assusta. o passado, quando observado, no presente, sempre deixa algum resquício de alguma coisa que (ainda) não sou capaz de explicar.

terça-feira, 15 de setembro de 2009

(lat perceptione)

Vai da maneira de perceber as coisas, entenda. Sem essa de certo ou errado. É só a forma de enxergar o que está visível, pra quem está disposto.

segunda-feira, 14 de setembro de 2009

Vida real.

A esperança que renova os planos transforma à tarde que dura pouco. Boa leitura de trechos, pequenos contos, sobre abraços do cotidiano, serve pra aliviar os (d)efeitos da vida real. Recortes de vidas passadas no Uruguai, em Curitiba, ou em qualquer outro lugar do mundo, listadas no livro que provavelmente mudará muito por aqui.

Renovação, sempre.

E a esperança do tamanho dos meus sonhos.

domingo, 13 de setembro de 2009

dentre os planos não escritos

Cada nova página escrita é uma batalha vencida, uma estrada de mão dupla, de criação (in)dependente que depende de outros motivos para acontecer. Parece ser tão difícil. E sempre termina em raiva ou satisfação. Sem meio termo.

O modo de exposição, quando ligado, faz com que, por vezes, ele seja o que não é, ou o que não gostaria de ser -talvez o que esconda (nas páginas em branco).

O movimento não-linear da vida, da escrita, dos contos, em tudo lembra a máquina de escrever, esquecida em algum filme antigo que ele não conseguiu assistir. E sem o menor sentido, ela faz parte do jogo, e joga, regularmente, pra confundir os dias de luz apagada. Desde o tempo da sala do café, os dois recortam gestos e palavras, e a vida não passa de planos, e um telefone anotado na agenda, com relativa esperança.

Porque ela sempre se aproxima, assim, como quem quer tudo o que não pode ter.

E ele nunca deixa de sonhar com a simetria dos corpos.

(a)caso do acaso.

a força do caminho. o trajeto. ônibus errado. madrugada. distante daqui. conversa de tempos atrás na praça movimentada. recordação de uma história de poucas linhas. saudade ou arrependimento? tanto faz. o tempo muda. chove após uma semana de sol. de vida nova. comecei algumas coisas interessantes que ao longo de duas semanas já estão na minha lista de prioridades/dedicação. tenho escrito pouco. uma pena. mas vi rabiscos pelo chão de novas possibilidades. e é foda decidir quando a vontade é de ocupar todos os espaços. mas não dá. outra pena. dói de um lado e tal, mas o que sobra faz da vida o equilibrio - menos mal. misturo cenas, palavras, semanas, mudanças, novidades, tudo de uma vez só, sem cortes, agora.

vinha pensando no acaso. sem acreditar. e isso refletiu em alguns trechos de páginas vencidas. vejo, de fato, que tudo está ligado. mesmo. de coração aberto. qualquer hora tento explicar o significado real disso tudo que começa com o sono interrompido pela televisão e termina com uma foto, em foco, achada.

porumacaso?